{"id":2627,"date":"2022-06-25T07:59:26","date_gmt":"2022-06-25T10:59:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/?p=2627"},"modified":"2022-06-25T07:59:26","modified_gmt":"2022-06-25T10:59:26","slug":"empresa-e-condenada-em-danos-morais-por-impedir-amamentacao-durante-jornada-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/2022\/06\/25\/empresa-e-condenada-em-danos-morais-por-impedir-amamentacao-durante-jornada-de-trabalho\/","title":{"rendered":"EMPRESA \u00c9 CONDENADA EM DANOS MORAIS POR IMPEDIR AMAMENTA\u00c7\u00c3O DURANTE JORNADA DE TRABALHO"},"content":{"rendered":"<div class=\"panel-heading\" align=\"center\"><\/div>\n<div class=\"panel-body\" align=\"justify\">\n<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-rounded\" src=\"https:\/\/itcnet.com.br\/biblioteca\/2020\/tp\/amamenta%20hora%20extra%20250x142.png\" \/><\/div>\n<p align=\"center\"><em><strong>Por maioria de votos, 4\u00aa C\u00e2mara do TRT-12 entendeu que dano \u00e9 presumido no pr\u00f3prio fato, e que sofrimento e ang\u00fastia da m\u00e3e independem de prova.<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Uma empresa de Florian\u00f3polis, prestadora de servi\u00e7os de limpeza, ter\u00e1 de pagar R$ 10 mil em danos morais por n\u00e3o ter concedido a uma empregada o intervalo legal para amamenta\u00e7\u00e3o. A decis\u00e3o, por maioria de votos, \u00e9 da 4\u00aa C\u00e2mara do Tribunal Regional do Trabalho da 12\u00aa Regi\u00e3o (SC), em a\u00e7\u00e3o na qual a autora alegou abalos psicol\u00f3gicos e f\u00edsicos decorrentes da situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A trabalhadora ingressou com a\u00e7\u00e3o em outubro de 2021, requerendo pagamento dos intervalos de amamenta\u00e7\u00e3o, sal\u00e1rio fam\u00edlia e uma indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais.<\/p>\n<p>Afirmou que teria sido amea\u00e7ada de perder o emprego caso fosse para casa amamentar, e que necessitava ir ao banheiro secar o leite que derramava. Em raz\u00e3o disso, precisou desmamar o filho antes do tempo previsto, e toda essa situa\u00e7\u00e3o, segundo ela, teria lhe causado danos psicol\u00f3gicos e f\u00edsicos.<\/p>\n<p>No primeiro grau, a 6\u00aa Vara do Trabalho de Florian\u00f3polis acolheu todos os pedidos, inclusive o dano moral. A ju\u00edza respons\u00e1vel pelo caso, Zelaide de Souza Philippi, destacou na senten\u00e7a que o intervalo para amamenta\u00e7\u00e3o \u00e9 previsto no artigo 396 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT). De acordo com o dispositivo, as mulheres t\u00eam direito a dois intervalos, de meia hora cada um, para amamentar o filho at\u00e9 que ele alcance seis meses de idade.<\/p>\n<p>A magistrada destacou que o aleitamento materno \u00e9 considerado &#8220;o modo mais apropriado e seguro de alimenta\u00e7\u00e3o da primeira inf\u00e2ncia&#8221;. Al\u00e9m disso, de acordo com Zelaide Philippi, negar o intervalo tamb\u00e9m \u00e9 privar a m\u00e3e de &#8220;dar o carinho e afeto necess\u00e1rio ao filho nos primeiros meses de vida&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Recurso<\/strong><\/p>\n<p>A empresa recorreu da decis\u00e3o, apresentando a tese de que nos autos n\u00e3o haveria prova do impacto psicol\u00f3gico causado \u00e0 autora. De acordo com a defesa, o caso teria sido um mero aborrecimento, insuficiente para caracterizar dano moral.<\/p>\n<p>Neste ponto, os desembargadores divergiram. O relator, Gracio Petrone, entendeu que a falta de pausa para a amamenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o implicou, por si s\u00f3, ofensa \u00e0 honra ou \u00e0 dignidade da autora, tampouco foi capaz de comprometer sua integridade f\u00edsica ou psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Para ele, a trabalhadora n\u00e3o produziu provas que confirmassem as alega\u00e7\u00f5es feitas na inicial, como as amea\u00e7as de demiss\u00e3o e as idas ao banheiro para secar o leite. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 sequer prova de que a autora ainda amamentava quando retornou ao trabalho ap\u00f3s licen\u00e7a-maternidade e f\u00e9rias&#8221;, fundamentou.<\/p>\n<p><strong>Diverg\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>O desembargador Garibaldi Tadeu Pereira Ferreira, designado para redigir o ac\u00f3rd\u00e3o, divergiu. Ele destacou no texto que, &#8220;diante do preju\u00edzo \u00e0 sa\u00fade e integridade f\u00edsica, biol\u00f3gica e psicol\u00f3gica, tanto da m\u00e3e como da crian\u00e7a, o dano \u00e9 presumido no pr\u00f3prio fato&#8221;.<\/p>\n<p>Ainda segundo o desembargador, em raz\u00e3o de a amamenta\u00e7\u00e3o ser fundamental no desenvolvimento de uma crian\u00e7a, o sofrimento e a ang\u00fastia da m\u00e3e independem de prova.<\/p>\n<p>O desembargador Marcos Vinicio Zanchetta acompanhou a diverg\u00eancia. Para ele, ao n\u00e3o comparecer \u00e0 audi\u00eancia para se defender, a empresa assumiu como verdadeiras as afirma\u00e7\u00f5es feitas pela autora.<\/p>\n<p>Apesar de manter o dano moral, a 4\u00aa C\u00e2mara reduziu o valor indenizat\u00f3rio de R$ 15 mil para R$ 10 mil.<\/p>\n<p>A diverg\u00eancia restringiu-se ao dano moral. Os desembargadores foram un\u00e2nimes ao deferir o pagamento do intervalo para amamenta\u00e7\u00e3o negado pela empresa, com todos os reflexos (13\u00ba sal\u00e1rio, f\u00e9rias, etc), e indeferir o sal\u00e1rio fam\u00edlia, j\u00e1 que a autora n\u00e3o comprovou a entrega da documenta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria (art. 67 da Lei n\u00ba 8.213\/91).<\/p>\n<p>A empresa ingressou com recurso para o Tribunal Superior do Trabalho.<\/p>\n<p>Processo n\u00ba: 0000737-02.2021.5.12.0036.<\/p>\n<p><em>Fonte:<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/portal.trt12.jus.br\/noticias\/empresa-e-condenada-em-danos-morais-por-impedir-amamentacao-durante-jornada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Tribunal Regional do Trabalho da 12\u00aa Regi\u00e3o (TRT\/SC)<\/a>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por maioria de votos, 4\u00aa C\u00e2mara do TRT-12 entendeu que dano \u00e9 presumido no pr\u00f3prio fato, e que sofrimento e ang\u00fastia da m\u00e3e independem de prova. 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