{"id":2176,"date":"2020-12-15T21:50:44","date_gmt":"2020-12-16T00:50:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/?p=2176"},"modified":"2020-12-15T21:50:44","modified_gmt":"2020-12-16T00:50:44","slug":"participacao-nos-lucros-e-resultados-nao-deve-ter-reflexo-automatico-no-valor-da-pensao-alimenticia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/2020\/12\/15\/participacao-nos-lucros-e-resultados-nao-deve-ter-reflexo-automatico-no-valor-da-pensao-alimenticia\/","title":{"rendered":"PARTICIPA\u00c7\u00c3O NOS LUCROS E RESULTADOS N\u00c3O DEVE TER REFLEXO AUTOM\u00c1TICO NO VALOR DA PENS\u00c3O ALIMENT\u00cdCIA"},"content":{"rendered":"<div align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"img-responsive img-rounded\" src=\"https:\/\/itcnet.com.br\/biblioteca\/2020\/tp\/plr%20dinehrio%20250x142.png\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como verba de natureza indenizat\u00f3ria &#8211; sem car\u00e1ter salarial, portanto -, a Participa\u00e7\u00e3o nos Lucros e Resultados (PLR) recebida pelo empregado n\u00e3o pode ser inclu\u00edda no c\u00e1lculo da pens\u00e3o aliment\u00edcia de forma obrigat\u00f3ria e autom\u00e1tica. Em vez disso, o juiz deve analisar se h\u00e1 circunst\u00e2ncias espec\u00edficas e excepcionais que justifiquem a incorpora\u00e7\u00e3o d\u200ba verba na defini\u00e7\u00e3o do valor dos alimentos.<\/p>\n<p>Com a pacifica\u00e7\u00e3o desse entendimento, a Segunda Se\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) reformou ac\u00f3rd\u00e3o do Tribunal de Justi\u00e7a do Distrito Federal e dos Territ\u00f3rios (TJDFT) que, mantendo senten\u00e7a de primeiro grau, concluiu que a PLR deveria fazer parte do montante a ser considerado no c\u00e1lculo da pens\u00e3o, especialmente quando o desconto fosse estipulado em percentual sobre a remunera\u00e7\u00e3o do alimentante.<\/p>\n<p>Relatora do recurso especial do alimentante, a ministra Nancy Andrighi explicou que tanto o artigo 7\u00ba, inciso XI, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal quanto o artigo 3\u00ba da Lei 10.101\/2000 desvinculam a PLR da remunera\u00e7\u00e3o recebida pelo trabalhador.<\/p>\n<p>A ministra tamb\u00e9m apontou que a jurisprud\u00eancia do Tribunal Superior do Trabalho considera que a PLR tem natureza indenizat\u00f3ria e, mesmo quando \u00e9 paga em periodicidade diferente daquela estabelecida em lei, n\u00e3o se converte em sal\u00e1rio ou remunera\u00e7\u00e3o &#8211; ressalvadas, segundo a relatora, as hip\u00f3teses de fraude, como no caso de ser usada para dissimular o pagamento de comiss\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;Dessa forma, em se tratando de parcela que n\u00e3o se relaciona com o sal\u00e1rio ou com a remunera\u00e7\u00e3o percebida pelo alimentante, n\u00e3o h\u00e1 que se falar em incorpora\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica dessa bonifica\u00e7\u00e3o aos alimentos&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p><strong>Duas etapas<\/strong><\/p>\n<p>De acordo com Nancy Andrighi, nos termos do artigo 1.694 do C\u00f3digo Civil, o juiz deve estabelecer inicialmente as necessidades vitais do credor da pens\u00e3o (alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o etc.), fixando o valor ideal que lhe assegure sobreviv\u00eancia digna.<\/p>\n<p>Esclarecido o primeiro elemento do bin\u00f4mio necessidade-possibilidade &#8211; prosseguiu a relatora -, o magistrado deve partir para a segunda etapa: definir se o valor ideal se amolda \u00e0s condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas do alimentante.<\/p>\n<p>Segundo a ministra, se o julgador considerar que as necessidades do alimentando poder\u00e3o ser supridas integralmente pelo alimentante, a pens\u00e3o dever\u00e1 ser fixada no valor (ou percentual) que, originalmente, concluiu-se ser o ideal &#8211; sendo desnecess\u00e1rio, nesse caso, investigar a possibilidade de o alimentante suportar um valor maior.<\/p>\n<p>Por outro lado &#8211; enfatizou a relatora -, se o juiz entender que o alimentante n\u00e3o pode pagar o valor ideal, os alimentos dever\u00e3o ser reduzidos, sem preju\u00edzo de futura a\u00e7\u00e3o revisional para discutir eventual modifica\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do devedor da pens\u00e3o.<\/p>\n<p>Como consequ\u00eancia desse modelo em duas etapas subsequentes, Nancy Andrighi concluiu que as varia\u00e7\u00f5es positivas nos rendimentos do alimentante &#8211; como a PLR &#8211; n\u00e3o t\u00eam efeito autom\u00e1tico no valor dos alimentos, mas podem afet\u00e1-lo nas hip\u00f3teses de haver redu\u00e7\u00e3o proporcional da pens\u00e3o para se ajustar \u00e0 capacidade contributiva do alimentante ou altera\u00e7\u00e3o nas necessidades do alimentando &#8211; situa\u00e7\u00f5es em que, para a relatora, as varia\u00e7\u00f5es positivas nos rendimentos devem ser incorporadas no c\u00e1lculo.<\/p>\n<p><strong>Sem justificativa<\/strong><\/p>\n<p>No caso dos autos, segundo a ministra, o TJDFT determinou a inclus\u00e3o da PLR na base de c\u00e1lculo do percentual de alimentos apenas por considerar que ela representa um ganho permanente de natureza remunerat\u00f3ria, sem apontar raz\u00e3o para o aumento da pens\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Diante desse cen\u00e1rio de inexist\u00eancia de circunst\u00e2ncias espec\u00edficas ou excepcionais que justifiquem a efetiva necessidade de incorpora\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o nos lucros e resultados &#8211; verba eventual e atrelada ao sucesso da empresa em que labora o recorrente &#8211; aos alimentos prestados \u00e0 recorrida, \u00e9 de se concluir que a verba denominada PLR deve ser exclu\u00edda da base de c\u00e1lculo dos alimentos&#8221;, concluiu a ministra.<\/p>\n<p><em>Fonte:<\/em>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.stj.jus.br\/sites\/portalp\/Paginas\/Comunicacao\/Noticias\/11122020-Participacao-nos-lucros-e-resultados-nao-deve-ter-reflexo-automatico-no-valor-da-pensao-alimenticia.aspx\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Como verba de natureza indenizat\u00f3ria &#8211; sem car\u00e1ter salarial, portanto -, a Participa\u00e7\u00e3o nos Lucros e Resultados (PLR) recebida pelo empregado n\u00e3o pode ser inclu\u00edda no c\u00e1lculo da pens\u00e3o aliment\u00edcia de forma obrigat\u00f3ria e autom\u00e1tica. 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