{"id":1713,"date":"2019-07-10T09:11:13","date_gmt":"2019-07-10T12:11:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/?p=1713"},"modified":"2019-07-10T09:11:13","modified_gmt":"2019-07-10T12:11:13","slug":"carf-mantem-distribuicao-desproporcional-de-lucros","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/2019\/07\/10\/carf-mantem-distribuicao-desproporcional-de-lucros\/","title":{"rendered":"CARF MANT\u00c9M DISTRIBUI\u00c7\u00c3O DESPROPORCIONAL DE LUCROS"},"content":{"rendered":"<p>Os escrit\u00f3rios de advocacia e as empresas limitadas ganharam um importante precedente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para validar uma pr\u00e1tica muito comum no mercado: a distribui\u00e7\u00e3o desproporcional de lucros entre s\u00f3cios. A modalidade leva em conta crit\u00e9rios estabelecidos pela companhia, como participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria e desempenho.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o, por maioria de votos, favorece o Pinheiro Neto Advogados, autuado por distribui\u00e7\u00e3o de lucros realizada no ano de 2011. \u00c9 a primeira que se tem not\u00edcia ap\u00f3s a reformula\u00e7\u00e3o do Carf, em decorr\u00eancia da Opera\u00e7\u00e3o Zelotes &#8211; que investiga um esquema de corrup\u00e7\u00e3o no \u00f3rg\u00e3o. Com as mudan\u00e7as, segundo advogados tributaristas, os contribuintes passaram a perder causas com mais frequ\u00eancia no tribunal administrativo.<\/p>\n<p>A distribui\u00e7\u00e3o desproporcional de lucros \u00e9 permitida pelo artigo 1.007 do C\u00f3digo Civil. O Pinheiro Neto foi autuado, por\u00e9m, porque no entendimento da Receita Federal n\u00e3o haveria previs\u00e3o em contrato social nem prova de que os s\u00f3cios concordaram com a pr\u00e1tica, por meio de uma ata de reuni\u00e3o.<\/p>\n<p>Na autua\u00e7\u00e3o, a fiscaliza\u00e7\u00e3o considera os valores pro labore e cobra contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria com al\u00edquota de 20% (como contribuinte individual). Sobre os lucros distribu\u00eddos de forma desproporcional n\u00e3o incide, normalmente, Imposto de Renda e contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria.<\/p>\n<p>No Carf, o Pinheiro Neto Advogados defendeu a regularidade da opera\u00e7\u00e3o. A defesa afirmou que o artigo 1.007 do C\u00f3digo Civil permite a pr\u00e1tica e que o contrato social previa a distribui\u00e7\u00e3o de lucros levando em considera\u00e7\u00e3o a participa\u00e7\u00e3o e a performance dos s\u00f3cios.<\/p>\n<p>A banca ainda argumentou que houve a comprova\u00e7\u00e3o de que os s\u00f3cios concordaram com a distribui\u00e7\u00e3o desproporcional. Foram apresentados e-mails dos s\u00f3cios aceitando os c\u00e1lculos realizados pelo comit\u00ea gestor. Para o escrit\u00f3rio, n\u00e3o haveria necessidade de reuni\u00e3o entre os s\u00f3cios e a elabora\u00e7\u00e3o de uma ata.<\/p>\n<p>No julgamento da 1\u00aa Turma Ordin\u00e1ria da 4\u00aa C\u00e2mara da 2\u00aa Se\u00e7\u00e3o, a maioria dos conselheiros (cinco votos a dois) entendeu que os deveres legais para possibilitar a distribui\u00e7\u00e3o dos lucros foram cumpridos pelo escrit\u00f3rio. Eles aceitaram os e-mails com a anu\u00eancia dos s\u00f3cios, que comprovam o qu\u00f3rum para autorizar a opera\u00e7\u00e3o (processo n\u00ba 18088.720004\/2016-26).<\/p>\n<p>Para os conselheiros, por\u00e9m, bastaria a previs\u00e3o feita em contrato social, conforme os artigos 4\u00ba e 6\u00ba do Provimento n\u00ba 169, de 2015, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), de aplica\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria aos escrit\u00f3rios, conforme determina o Estatuto da Ordem (Lei n\u00ba 8.906\/94).<\/p>\n<p>O caso do Pinheiro Neto demonstra um aprofundamento na an\u00e1lise de distribui\u00e7\u00e3o desproporcional de lucros pela fiscaliza\u00e7\u00e3o, segundo o advogado Diego Aubin Miguita, do Vaz Buranello Shingaki &amp; Oioli Advogados. &#8220;Foi necess\u00e1ria a materializa\u00e7\u00e3o da aprova\u00e7\u00e3o dos s\u00f3cios com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o desproporcional. N\u00e3o bastou a previs\u00e3o em contrato social&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Antes da reformula\u00e7\u00e3o do Carf, os julgamentos sobre o tema eram, em geral, favor\u00e1veis aos contribuintes. Nas autua\u00e7\u00f5es de empresas ou escrit\u00f3rios de advocacia, a Receita Federal defende, normalmente, que houve simula\u00e7\u00e3o. Ou seja, que existiu uma remunera\u00e7\u00e3o disfar\u00e7ada de participa\u00e7\u00e3o desproporcional de lucros como forma de evitar tributa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi o que a fiscaliza\u00e7\u00e3o alegou em duas autua\u00e7\u00f5es analisadas em 2014 pelo Carf, que envolvem o Ernesto Borges Advogados. O entendimento foi o de que todo o trabalho prestado pelo escrit\u00f3rio foi realizado pelos pr\u00f3prios s\u00f3cios e que a banca, ao partilhar os resultados de acordo com a produ\u00e7\u00e3o de cada um, estaria remunerando os advogados pelos servi\u00e7os. Os dois autos, por\u00e9m, foram cancelados pelo tribunal administrativo. Segundo as decis\u00f5es, se a distribui\u00e7\u00e3o de lucros foi efetuada com suporte na contabilidade, que se mostrou confi\u00e1vel, n\u00e3o haveria como alterar a natureza dos pagamentos (processos n\u00ba 2301-003. 375 e n\u00ba 2302-003.211).<\/p>\n<p>No caso do Pinheiro Neto, por\u00e9m, a Receita Federal entendeu que n\u00e3o houve irregularidade e n\u00e3o se tratava de remunera\u00e7\u00e3o. Mas considerou que n\u00e3o foram cumpridos todos os requisitos necess\u00e1rios, o que foi rejeitado pela maioria dos conselheiros.<\/p>\n<p>De acordo com o advogado Caio Taniguchi, do escrit\u00f3rio Bichara Advogados, o uso da distribui\u00e7\u00e3o desproporcional de lucros \u00e9 praxe nos escrit\u00f3rios de advocacia. &#8220;N\u00e3o conhe\u00e7o nenhum grande escrit\u00f3rio que n\u00e3o fa\u00e7a assim&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Para evitar autua\u00e7\u00f5es, o advogado recomenda que os escrit\u00f3rios deixem, de forma clara e formalizada, os crit\u00e9rios utilizados para a distribui\u00e7\u00e3o desproporcional de lucros. &#8220;Se n\u00e3o houver uma ata de delibera\u00e7\u00e3o, que exista algum tipo de documento no arquivamento interno, ou at\u00e9 mesmo e-mails que comprovem isso&#8221;, diz Taniguchi.<\/p>\n<p>Procurado pelo Valor, o Pinheiro Neto Advogados informa, em nota que &#8220;o escrit\u00f3rio defendeu a regularidade do modelo de distribui\u00e7\u00e3o de lucros adotado, documentalmente demonstrado e de acordo com a exig\u00eancia legal, e obteve a anula\u00e7\u00e3o do auto de infra\u00e7\u00e3o elaborado, diante da corre\u00e7\u00e3o de sua atitude&#8221;. A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), por sua vez, afirma, tamb\u00e9m por nota, que deve &#8220;aguardar a formaliza\u00e7\u00e3o do ac\u00f3rd\u00e3o para analisar o cabimento de recurso no caso&#8221;. A defesa do escrit\u00f3rio Ernesto Borges Advogados tamb\u00e9m foi procurada, mas n\u00e3o deu retorno at\u00e9 o fechamento da edi\u00e7\u00e3o. (Colaborou Beatriz Olivon).<\/p>\n<p><em>Fonte:<\/em> <a href=\"https:\/\/www.valor.com.br\/legislacao\/5746883\/carf-mantem-distribuicao-desproporcional-de-lucros\">Valor Econ\u00f4mico<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os escrit\u00f3rios de advocacia e as empresas limitadas ganharam um importante precedente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para validar uma pr\u00e1tica muito comum no mercado: a distribui\u00e7\u00e3o desproporcional de lucros entre s\u00f3cios. A modalidade leva em conta crit\u00e9rios estabelecidos pela companhia, como participa\u00e7\u00e3o societ\u00e1ria e desempenho. A decis\u00e3o, por [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1],"tags":[],"amp_enabled":true,"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1713"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1713"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1713\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1714,"href":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1713\/revisions\/1714"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1713"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1713"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.dalconcontabilidade.cnt.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1713"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}